A indecisão e a insegurança sempre foram minhas companheiras na vida. Sendo a primeira algo que, em determinado momento abracei como traço de personalidade mesmo. Também não tenho um histórico muito positivo em me priorizar. Muito disso já foi trazido para o consciente e trabalhado, mas não é como se a gente nunca mais tivesse que tomar chá com nossos demônios, né?

Senta aqui, vamos conversar. rs
Botar a culpa no signo, na mãe, desenvolver métodos mentais para facilitar minhas tomadas de decisão, fosse desde o que eu iria jantar até se eu continuaria ou não naquele relacionamento.
Se fosse tão fácil assim ter certeza daquilo que a gente quer… Ainda mais se aquilo que a gente acha que quer vem tantas vezes carregado de pressão externa (pais, sociedade…), autossabotagem, construção social e comparações distorcidas. Seria a nossa pura e simples vontade o melhor indicativo? Ou então, o único?
Já quero adiantar aqui que estou usando o termo QUERER, e pode até ficar um pouco confuso e parecer que estou dizendo que a gente não deve confiar no nosso desejo, mas pelo contrário. Estou falando de tirarmos toda aquela tralha da frente pra entender: QUAIS SÃO DE FATO OS MEUS DESEJOS? Espero que após o parágrafo abaixo fique um pouco mais fácil de entender.

Espero muito que essa não seja tua cara após ler o próximo parágrafo.
Tenho usado uma expressão para situações em que me pego desejando ter ou ser algo por olhar mais para o lado do que para dentro, aquelas onde a gente queria pertencer ou optar pelo caminho que desse menos trabalho, mas o nosso rolê é diferente e a gente simplesmente não consegue se identificar ali. Essa expressão é “eu queria querer” (r̶o̶u̶b̶e̶i̶ ouvi ela em um podcast de psicanálise onde o moço relatava sobre sua própria análise, de um relacionamento amoroso em que ele não queria mais estar mas pensava EU QUERIA QUERER ESTAR AQUI).
Achei que foi uma forma cirúrgica de expressar essa sensação que tantas vezes senti. Essa frustração de ter na mente uma coisa e no coração outra. Cresci mendigando a aceitação das pessoas e pra isso eu precisava dizer sim para várias situações que no fundinho nem faziam sentido comigo. Tive então que aprender a “decepcionar” os outros ao invés de mim e eu penso tantas vezes: “Ah, como eu queria querer…”.

Nem sempre a consequência é a mais confortável mas definitivamente é a mais saudável pra mim e agora sim, eu posso bancá-la. Não se engane, isso não quer dizer que é fácil e que não tenho dúvidas se estou tomando ou não a melhor decisão.
Vou pegar um exemplo super pessoal e aparentemente simples. Não faço as minhas unhas. E não tenho interesse em fazer. No máximo eu não quero que elas encravem afinal dói, né. O que esperam de uma mulher é que ela esteja sempre com as unhas feitas e em caso não estar já tem que ter uma explicação na ponta da língua. “Não deu tempo de marcar manicure, mas de semana que vem não passa”. Que a mulher deveria se sentir melhor com as unhas feitas ou até que é mais higiênico. (E aqui preciso dizer, gente, quem aí já teve unha comprida sabe bem a sujeira que entra embaixo, e estar com elas pintadinhas não é sinônimo de limpeza, acho que fica até mais fácil esquecermos que ela tá suja kkkkkkkkk).
Se você tem todo esse prazer e preferência por fazer as unhas, maravilha. Pra mim, não muda nada. Acho bonito unhas pintadas? Claro, mas sempre achei lindo as unhas naturais também.
Olha, eu não quero que soe um papo raso aqui, viu? Mas juro que esse lance das unhas sempre me atormentou e volta e meia me pego noiando nisso. Já senti vergonha e pensei que era desleixada. Cheguei a fazer promessa de ano novo: Fazer as unhas uma vez ao mês. E nunca nem comecei a cumprir a meta.
Passei a fazer um exercício de enxergar a minha opção de deixar as unhas naturais como uma escolha consciente. Por que deixar minhas unhas curtinhas e sem esmalte não pode ser algo que eu QUERO? E mais, uma opção bonita também. Eu gosto de praticidade e me sinto mais leve e confortável assim, esses são pontos importantes pra mim, mais ainda do que a estética no caso das unhas.
“Tá, Amanda, mas o que tem a ver lé com cré, o que tu quer que eu faça, é pra fazer ou não as unhas?” As unhas eram só um pretexto pra eu falar de outra coisa. Vamos relembrar aqui o conceito de autenticidade que foi dito pela nossa querida Brené Brown (inclusive, temos um vídeo inteirinho sobre isso aqui):
“Autenticidade é a prática diária de abandonar quem pensamos que somos ou quem pensamos que temos de ser e assumir quem realmente somos.”
Quando descobri meus valores, tive clareza daquilo que é inegociável pra mim e o que faz meu olho brilhar, passei a fazer minhas escolhas e lidar com a indecisão (afinal, ela ainda existe, tá? não é milagre que faz a gente ter certeza de tudo, não) de uma forma diferente. Passei a ter como guia muito mais do que meu querer.
Podemos desejar partes diferentes de várias situações. Podemos querer duas coisas, três e elas serem contraditórias, afinal somos humanos. Acredito que é mais sobre analisar e optar por um caminho tendo em vista a nossa motivação por trás daquilo.
Certeza, certeza, poucas vezes na vida teremos, mas podemos confiar no nosso processo, nos nossos valores e claro, aceitar as consequências que vierem com essa escolha sem sermos nosso próprio carrasco, estando abertos a compreender que tivemos a melhor das intenções e usando essa vivência como mais um passo na direção do caminho que de fato queremos trilhar.
E atenção pra essa parte de aceitar as consequências. Isso tem me trazido uma paz tão grande que muitas vezes me assusto. Quando eu estou na dúvida de qual escolha fazer, ou por não querer errar, ou por querer partes de ambas as opções como já comentei acima, eu penso comigo: Certo. Independente da escolha que eu fizer, eu aceito as consequências que vierem e lidarei com elas da melhor forma possível, sejam elas positivas ou negativas. Isso tem muito a ver com administrar a minha ansiedade também.
Trazer a autenticidade de uma maneira mão na massa tem muito a ver com nos observarmos, sair do piloto automático, ver tudo aquilo que a gente se cobra, o tanto de culpa que a gente se atribui e muitas vezes em pontos da nossa vida que poderíamos olhar com mais gentileza e como algo que nos torna únicos. Como uma força. É MUITO MENOS cansativo pararmos de brigar com a gente mesmo e perseguir algo que no fundo nem queremos pra nossa vida.
O exemplo das unhas foi só um, mas tudo o que falei se estende para minha vida pessoal, profissional, desde a forma como vou me relacionar até definir qual será meu próximo investimento de dinheiro e tempo, por exemplo. E eu sei que pelo menos UM serzinho que tá lendo isso, vai se identificar. Vai pensar: “Ufa, ela também passa por isso”.
Pra você, eu quero fazer um convite bem especial que eu acredito muito que pode fazer alguma diferença nessa mente e nesse coração aí. Essa diferença pode se dar pela sensação de pertencimento ou também pelas informações que vamos compartilhar (ou os dois, melhor ainda!) no nosso curso que será lançado daqui alguns meses.
Curso esse que estamos criando com base NO NOSSO PRÓPRIO PROCESSO de acomodar na gente tudo isso que tu leu até aqui. Parece doido (e eu tantas vezes acho que é rs), mas é isso que acontece quando a gente tem clareza. A gente toma as decisões de coração aberto pras consequências pois sabe que fez com intenção.
Vem com a gente? Aqui tem uma lista onde tu pode te inscrever e saber de tudo em primeira mão. ,https://mailchi.mp/11445e550963/the-blog-project
Um abraço e tamo junto!
Amanda.

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